Aplicação de Microrrevestimento Asfáltico a Frio no preenchimento de trilhas de roda

INTRODUÇÃO
O serviço de Microrrevestimento Asfáltico a Frio (MRAF) é reconhecido como um meio eficaz e de elevado benefício na manutenção de pavimentos. É geralmente utilizado como uma forma de conservação ou tratamento de superfície. Como tratamento de superfície fornece um revestimento resistente à derrapagem, devido principalmente a sua característica de macrotextura. Como tratamento de conservação é também usado para enchimento de trilhas de rodas e depressões no pavimento. A técnica de preenchimento de trilhas de roda com MRAF é uma solução amplamente utilizada em outros países, porém pouco difundida no Brasil.
A idéia de usar o MRAF para preenchimento de trilhas de roda é mais antiga do que se pensa. Dentre as várias versões sobre a origem do MRAF, a principal consideraque o MRAF surgiu na Alemanha. No final dos anos 60, cientistas alemães iniciaram estudos mais aprofundados sobre a lama asfáltica convencional, que já era empregada na manutenção das AUTOBAHNS como camada de rolamento e no preenchimento das trilhas de roda. Tais estudos tinham como objetivo encontrar uma solução mais econômica para substituição da lama asfáltica, sem ter que destruir a camada de rolamento ou aplicar outra camada sobre toda a pista, pois a lama asfáltica convencional apresentava problemas como demorada liberação da pista ao tráfego, desgaste excessivo e tempo de vida útil pequeno para aquele tipo de rodovia.


Após várias tentativas, os cientistas desenvolveram um sistema que consistia em misturar agregados altamente selecionados, água e uma emulsão especial produzida com asfalto de alta qualidade, incorporado a ele, polímeros especiais e emulsificantes que garantiam a estabilidade desta emulsão. Esta mistura foi aplicada com êxito, tanto no preenchimento das trilhas de roda como na camada de rolamento, e recebeu o nome de Microrrevestimento Asfáltico a Frio (MRAF).
No Brasil a utilização do MRAF iniciou-se na segunda metade da década de 90 e é cada vez mais difundida, prova disso é o grande crescimento na aplicação deste tipo de pavimento nos últimos anos. Porém a aplicação de MRAF em deformações de trilhas de roda não é muito utilizada em nosso país. Tendo como principal destaque um trecho de 42 quilômetros na rodovia BR 290 no estado do Rio Grande do Sul, onde foi realizado em 2001/2002 um serviço de manutenção apenas com o preenchimento com MRAF nas trilhas de roda. Tal obra obteve bastante destaque na mídia local e foi apelidada pelos meios de comunicação de “pista zebrada” (figura 2).


DESCRIÇÃO DA TÉCNICA
O MRAF consiste numa mistura a frio, de emulsão modificada por polímeros com agregado mineral selecionado, filer (cal hidratada ou cimento Portland), água, aditivos químicos e, dependendo do projeto, aditivos sólidos (fibras de reforço) para melhoria das propriedades mecânicas de flexibilidade do revestimento (ISSA, Design Tecnical Bulletins).
Essa mistura é feita num caminhão usina apropriado, dotado de uma caixa de distribuição que tem com o objetivo processar, de forma contínua e homogênea, o espalhamento da massa asfáltica sobre toda superfície a ser revestida. Para a aplicação do MRAF em trilhas de roda é utilizada uma caixa de distribuição especial com dois compartimentos separados que recebem a mistura e a espalham especificamente dentro das trilhas de roda. Segundo recomendação da ISSA – International Slurry Seal Association (descrita no Apendix B do documento ISSA A143) para cada polegada (25,4mm) de mistura de MRAF aplicada na trilha deve-se acrescer a espessura aplicada, de 1/8 polegada (3,2 mm) até ¼ polegada (6,4 mm), devido à ação de compactação do tráfego. A tabela 1 traz as quantidades necessárias de mistura de MRAF conforme a profundidade da flecha da trilha de roda.essário para liberação do MRAF curado ao tráfego. O tempo ideal de cura ou liberação do tráfego para uma aplicação de MRAF com espessura menor que 15 mm deve ser de 40 minutos a 1,5 horas após seu espalhamento na pista, mas para espessuras entre 15,0 a 38,1 mm é admissível tempo de cura de até 2,5 horas dependendo da rodovia, principalmente do volume de tráfego a que ela é submetida.


Depois de preenchidas as trilhas de roda, deve-se aguardar o tempo necessário para liberação do MRAF curado ao tráfego. O tempo ideal de cura ou liberação do tráfego para uma aplicação de MRAF com espessura menor que 15 mm deve ser de 40 minutos a 1,5 horas após seu espalhamento na pista, mas para espessuras entre 15,0 a 38,1 mm é admissível tempo de cura de até 2,5 horas dependendo da rodovia, principalmente do volume de tráfego a que ela é submetida.
O processo de cura ocorre pela ação do calor e por reações químicas e físico-químicas, que acontecem entre os componentes da emulsão e os agregados. Tais fenômenos estimulam a liberação e evaporação da água do sistema, evento facilmente visualizado pela mudança na coloração do MRAF, que passa de marrom (cor inicial) para preto (cor final).
Preenchidas as trilhas e encerrado o processo de cura, a pista pode ser liberada ao tráfego. É aconselhável que a pista fique, dependendo da rodovia, de 1 a 5 dias exposta ao tráfego antes do recobrimento com a camada superficial de MRAF. Isso permite que a mistura dentro das trilhas sofra um adensamento e libere possíveis “bolsões” de água que se possam formar no interior da mistura. Posteriormente, é aplicada uma camada de MRAF em toda a extensão transversal e longitudinal da pista de rolamento, numa espessura que fica em torno de 8,0 mm.
O MRAF curado fica com aparência similar a de um concreto asfáltico rugoso, denotando um aumento de rugosidade que é responsável pela melhoria da aderência pneu/pavimento, da drenagem superficial e da diminuição do “spray” que se forma pela movimentação, em particular, dos caminhões, sob chuva.

Por: Eng. Químico José Antonio Antosczezem Junior
Eng. Químico Wander Paulo da Silva Omena

Leia a matéria completa no informativo Fatos&Asfaltos nº20

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