ÓLEOS COMBUSTÍVEIS

Embora a maioria dos produtos de petróleo possa ser utilizada como combustível, o termo óleo combustível designa, de um modo geral, frações pesadas, residuais do petróleo obtidos a partir de vários processos de refinação e destinados para a queima, ou seja, para gerar calor ou energia. Atualmente existem vários tipos de óleos combustíveis de petróleo oriundos não só do processo de destilação direta, mas de mistura de mais de uma corrente de derivado.
Até 1987 eram comercializados quatro tipos de óleos combustíveis de petróleo: BPF (Baixo Ponto de Fluidez), APF (Alto Ponto de Fluidez), Óleo 4 e BTE (Baixo Teor de Enxofre).
A partir de 1987 os óleos combustíveis de petróleo comercializados no Brasil passaram a receber a designação de óleos combustíveis ultraviscosos e receberam também uma nova classificação, passando então a serem ordenados em dois grandes grupos: o grupo “A” e o do grupo “B”.
O grupo “A” é o grupo de óleos com alto teor de enxofre e “B” agrupa os óleos de baixo teor de enxofre. Cada um destes grupos foi dividido em 9 tipos de óleos, de acordo com suas viscosidades, sendo os óleos 1 os menos viscosos, e os tipo 9, os mais viscosos, variando de 600 a 1.000.000 SSU @ 50ºC. Embora existam nove tipos de óleos, não há disponibilidade de todos em todas as regiões do Brasil. O tipo de óleo disponível é definido pela necessidade do mercado regional e da capacidade da refinaria supridora de produzir o óleo combustível.
Para a queima dos óleos ultraviscosos é necessário o aquecimento do óleo para que este atinja a viscosidade de atomização. Essa temperatura depende do tipo de óleo que se pretende queimar. Vale a pena lembrar que, em mudanças climáticas com queda abrupta de temperatura, podem ocorrer problemas durante a queima deste tipo de óleo.
Diante da demanda por óleos combustíveis menos impactantes ao meio ambiente, a GRECA Asfaltos disponibiliza para o mercado óleos de xisto betuminoso, que são óleos combustíveis menos poluentes e de queima fácil se comparados aos óleos combustíveis de petróleo ditos ultraviscosos.
O óleo de xisto é um dos produtos oriundos do Xisto Betuminoso, óleo este que é produzido pela a Petrobras Xisto – Petrosix, e comercializado pela GRECA Asfaltos.
Os óleos de xisto são produzidos e comercializados em dois tipos: OTG e OTE, menos viscosos que os óleos combustíveis de petróleo. Dentro da
família dos óleos de xisto o que os diferencia é a classificação do OTE como óleo combustível de baixa viscosidade e o OTG como óleo combustível de baixíssima viscosidade.
Dentre as vantagens dos óleos de xisto em relação óleos combustíveis destacam-se: maior fluidez, fácil manuseio, eliminação dos transtornos do pré-aquecimento, menor agressividade ao meio ambiente, eliminação dos transtornos durante partida e parada de operação, redução da emissão de particulados, dentre outras.
Especificação e seu significado
Todos os derivados de petróleo e de xisto betuminoso possuem especificações com um número de ensaios de controle que permitem garantir a uniformidade dos fornecimentos, assim como o bom desempenho do produto, conforme os significados de cada uma das características dos óleos combustíveis:
– Viscosidade: é a medida da resistência, no caso do óleo, ao escoamento. A determinação da viscosidade para os óleos combustíveis é dada através de
viscosímetro tipo capilar. A viscosidade é uma característica de suma importância para os óleos combustíveis, pois fornece informações sobre a bombeabilidade e atomização do produto.
– Ponto de Fulgor: este ensaio dá informações sobre a volatilidade e inflamabilidade do produto. Também serve para detectar eventuais contaminações.
– Ponto de Fluidez: esta medida indica a menor temperatura que o óleo pode suportar sem perder sua capacidade de escoamento nas tubulações, válvulas e tanques.
– Teor de Enxofre: este ensaio determina a quantidade de enxofre presente no óleo. Óleos com elevada quantidade de enxofre podem levar à formação de depósitos sobre os equipamentos de geração de calor e seus acessórios, conduzindo à perda da eficiência térmica além de promover corrosão desses equipamentos. Outro problema que o enxofre promove, quando em elevada quantidade, é a poluição atmosférica, sendo permitida apenas a queima de óleos de baixo teor de enxofre em cidades populosas. Os óleos têm seu teor de enxofre aumentado à medida que se tornam mais viscosos. Vale a pena citar que muitos processos são afetados pela presença de enxofre no óleo combustível necessitando, desta maneira, de óleos de baixo teor de enxofre. Dentre as atividades que demandam óleos com baixo teor de enxofre destacam-se tratamento térmico, fundição, forjamento, cerâmica, vidro, dentre outras.
– Poder Calorífico: é a quantidade de calor liberada pela combustão total do combustível. Sendo a produção de calor o objetivo de se queimar um óleo, seu poder calorífico é da maior importância para o usuário do combustível. Existem dois tipos diferentes de poder calorífico: Poder Calorífico Superior (PCS) e Poder Calorífico Inferior (PCI). No PCS considerase que a água presente nos gases de combustão é condensada e, desta forma, há o aproveitamento do calor presente nos gases de combustão. Já no PCI, a água presente nos gases de combustão é considerada na forma gasosa. Como na maioria dos casos as unidades não operam com equipamentos que permitem a recuperação do calor presente nos gases de combustão, o que interessa em uma análise simplista é o PCI. Assim sendo, óleos que apresentam maior PCI geram mais calor (energia) por quilograma de óleo.
– Densidade Relativa: como nos demais produtos derivados de petróleo, esta característica é útil para operações que necessitam da correlação peso–volume. A densidade isoladamente não tem muito significado como indicação para as características de queima dos óleos.


Diante da especificação dos óleos de xisto e da compreensão de cada um dos itens apresentados, podemos inferir que o Óleo de Xisto do tipo OTE
pode ser queimado em alguns casos, necessitando de pré-aquecimento brando. Por sua vez, o Óleo de Xisto tipo OTG dispensa a necessidade de préaquecimento para sua queima.
A troca de óleos combustíveis de petróleo ultraviscosos por óleos combustíveis de xisto não demandam alterações nos equipamentos como caldeiras, usinas de asfalto, dentre outros. A GRECA Asfaltos dispõe de técnicos capacitados para auxiliar seus clientes na substituição de óleos ultraviscosos por Óleos de Xisto.

Eng. Wander Omena
Gerente de Pesquisa e Desenvolvimento GRECA Asfaltos

Referências bibliográficas:
– Apostila do Curso de Informação sobre
Combustíveis e Combustão, RJ, IBP, 1984.
– Garcia, Roberto e Bernardes, Hegel José –
Manual de Utilização de Óleos Combustíveis
Ultraviscosos – 2ª edição – Belo horizonte – MG

Leia a matéria completa no informativo Fatos&Asfaltos nº18

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