RODOANEL MÁRIO COVAS (SP)

No inicio de março de 2009 era um desafio o pavimento flexível sobre pavimento rígido, sabendo do alto trabalho das placas de concreto, além do tráfego intenso e pesado, aplicar uma camada porosa de atrito com índice de vazios maior que 20%, desgaste cantabro abaixo de 12 % e, principalmente, reduzir o nível de ruídos na região residencial.
O ruído gerado na rodovia é um problema ambiental que vem sendo tratado com mais atenção no Brasil apenas nos últimos anos. No entanto, ele afeta tanto as áreas urbanas quanto as áreas rurais. O seu principal impacto está associado ao incômodo e seus efeitos negativos causados às pessoas e às suas vidas. Além disso, o tráfego também pode afetar a saúde, dificultar a comunicação, desvalorizar propriedades, entre outros impactos.
O tráfego em rodovias gera ruído por meio de três fontes distintas: sistema automotor dos veículos, ruído aerodinâmico e a interação pneu-pavimento. Diversos estudos indicam que para velocidades superiores a 50km/h a principal fonte do ruído gerado em rodovias é proveniente da interação pneu-pavimento e, portanto, pavimentos com baixo nível de ruído se apresentam como uma solução estratégica para a mitigação do problema.
Então foi executado entre os quilômetros 11 e 13 do Rodoanel Mário Covas, próximo à região do Tamboré (área residencial), CPA com asfalto modificado por polímero SBS (333,91t Flexpave) no sentido Bandeirantes – Castelo Branco e no sentido inverso CPA, com asfalto modificado por borracha de pneu moído (337,73t ECOFLEXPAVE).
Após a aplicação da CPA nas duas pistas (interna e externa), foram realizadas medições de ruído para avaliação da mitigação alcançada, bem como ensaios para caracterizar a superfície da camada de revestimento recém-aplicada. De acordo com a literatura pesquisada durante todo o trabalho, iniciado em 2006, a expectativa de mitigação do ruído após a aplicação da CPA era de cerca de 5dB(A). Contudo, graças ao empenho de todos os envolvidos (IPT, Poli-USP, DERSA, ARTESP, CCR), o resultado atingido foi significativamente superior ao esperado.
Além da questão acústica, também foram avaliadas as novas condições de superfície do revestimento aplicado. Deste modo, foram executados ensaios para avaliação da macrotextura (mancha de areia e dreno) e microtextura (Pêndulo Britânico). Ressaltase que a macrotextura tem influência bastante significativa no ruído gerado pela interação pneu-pavimento e que o IFI representa o índice de aderência, combinando os resultados dos ensaios de macrotextura e microtexutra (APS, 2006). Os resultados obtidos foram bastante satisfatórios, denotando uma superfície com excelentes características acústicas e de segurança viária.
Dada a relevância do tema, uma tese de doutorado está em desenvolvimento na Poli-USP pela Eng.ª Elieni Guimarães Barbosa Strufaldi sob orientação da Prof.ª Dra. Liedi Légi Bariani Bernucci. Em novembro de 2009 visitamos os trechos e fotografamos. O que era desafio é hoje uma realidade e esses trechos continuarão sendo monitorados. Agradeço a todos os técnicos da CCR pelo convívio técnico comercial na execução desta obra, bem como aos técnicos das empresas Serveng e da FBS.

Leia a matéria completa no informativo Fatos&Asfaltos nº19

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