Rodovias Sustentáveis

Conforme vimos no último Fatos & Asfaltos, a GRECA lançou uma campanha com foco em soluções ambientais, econômicas e funcionais para as rodovias brasileiras.
Obras de restauração de rodovias e vias urbanas inevitavelmente causam impactos ao meio ambiente, pelo consumo de novos materiais, operação de usinas, tráfego de veículos pesados e disposição de resíduos. A técnica de reciclagem, que envolve a utilização de parte do pavimento existente misturado com diferentes aditivos, congrega uma das tecnologias que influenciam os custos e trazem benefícios ambientais.
RECICLAGEM
Como sabemos, reciclar significa reaproveitar materiais para algum fim, mantendo suas propriedades originais ou adequando-as às novas necessidades. Contribuindo, dessa forma, para a preservação do meio ambiente.
A construção civil é a maior geradora de resíduos dentro dos centros urbanos e produz o equivalente a metade do lixo proveniente dessas áreas. Cada
metro quadrado construído corresponde a 150kg de resíduos descartados. Informações como essas são bastante recentes, pois até há pouco tempo não se
quantificava o impacto da poluição e dos resíduos gerados por esse setor no meio ambiente.
A cultura do desperdício dificulta a realização das boas práticas. Dentro do cenário brasileiro atual deve-se dar uma atenção especial ao assunto. Algumas prefeituras já se conscientizaram e criaram leis referentes ao gerenciamento dos resíduos gerados em obras. Esta é uma obrigação de todos os municípios.
PANORAMA NACIONAL
A maior parte das cargas transportadas no Brasil é feita por caminhões. “Sem caminhão o Brasil pára”. Vamos além, sem estradas o Brasil pára. Com
a evolução automobilística, os caminhões estão mais velozes e as cargas mais pesadas. O desafio das rodovias é acompanhar essas mudanças e proporcionar as devidas condições de tráfego para que a economia não estagne.
Porém, a manutenção da malha rodoviária não está acompanhando essa evolução. A qualidade das matérias-primas disponíveis está em declínio tanto pela sua escassez, como pela relação custo x benefício que, muitas vezes, tem se olhado apenas o custo, trabalhando no limite das especificações. A vida útil do pavimento tem-se abreviado muito e sua manutenção é, às vezes, ausente. Se não buscarmos alternativas como a reciclagem, em breve os recursos naturais serão raros e caros e viveremos em desequilíbrio ecológico acentuado.
Este é o ponto: não é que estejamos consumindo muito; Estamos consumindo mais do que a parte que nos cabe. Atualmente a demanda de consumo internacional equivale aos recursos que 1,5 mundos podem nos oferecer (Global Footprint Network). No setor de pavimentação, destacamos alguns materiais que devem ser utilizados racionalmente: cimento asfáltico, pedra, areia e cal.
RECICLAGEM DE PAVIMENTO A FRIO
A implantação das técnicas de Reciclagem de Pavimento sofreu muita resistência no Brasil por diversos motivos, como: desconhecimento, resistência a novidades, falta de equipamentos e de responsabilidade social.
O pavimento é composto por materiais como pedras, pó de pedras, areia, cal, calcário, cimento e asfalto. É tudo misturado em usina a aproximadamente
160ºC, utilizando óleos combustíveis no processo de aquecimento. Por muitos anos esse processo se repete. Quando um pavimento atinge a fadiga, ele
não proporciona mais segurança a seus usuários. O procedimento tomado até então é arrancar toda a capa, descartá-la e iniciar um novo projeto. Porém, as técnicas mais modernas de pavimentação reaproveitam o material envelhecido. Todo conjunto (pedra, asfalto, filler, etc.) pode ser reutilizado como camada de base, responsável pela resistência estrutural do pavimento, e de rolamento. Nesta edição do Fatos & Asfaltos vamos nos ater ao aproveitamento para base.


O governo brasileiro tem recebido recursos de bancos mundiais para obras rodoviárias. Tem se observado, nesses casos, a preocupação com o meio ambiente. Afinal, a tecnologia de reciclagem faz parte dos projetos de restauração de rodovias. Podemos exemplificar com o Programa de Recuperação de Rodovias (SP) que recebeu apoio do BID. Uma das técnicas adotadas foi a Reciclagem do Pavimento in situ, ou seja,o reprocessamento dos pavimentos ocorre no próprio local. Não há necessidade de usinas a quente, tancagem térmica, nem de remoção do material escavado, acabando com o ciclo de carga, transporte, estocagem e descarga. Conclui-se que utiliza menos recursos naturais e contribui com a redução de emissão de poluentes, gerados com o transporte e usinagem.


Nos trechos reciclados pelo Programa foi aplicada a técnica de Tratamento Superficial como camada de bloqueio de trincas, impermeabilizante e ancoragem da camada de rolamento. No CBUQ, foram adotadas faixas granulométricas mais estruturadas – resistindo melhor às deformações – e com maior rugosidade na textura – oferecendo maior segurança para os usuários, aperfeiçoadas com o uso do GRECAFLEX – asfalto modificado por polímero de alta tecnologia da GRECA ASFALTOS, proporcionando maior vida útil ao pavimento com menor espessura.
Atualmente o Brasil já possui tecnologia de reciclagem através de diversos equipamentos que trabalham com agilidade e baixo custo. São máquinas que fresam, cortam a camada do pavimento e a própria máquina mistura todo esse material, homogeneizando-o, com adição de materiais virgens e fillers para aperfeiçoar granulometrias e melhorar a coesão. Substitui o trabalho da motoniveladora, da fresa e da usina de solo. Esse processo pode variar e receber apoio de outros equipamentos. O mais importante é recompor todo o material que poderia ser desperdiçado e reaproveitá-los.
A Reciclagem de Pavimentos a Frio é uma opção econômica e ecológica de restauração de pavimentos. Além de contribuir para a redução de consumo de recursos naturais, proporciona redução do consumo de energia elétrica de 60 a 80% em relação ao sistema de reciclagem tradicional com britagem, de transporte (que corresponde a grande parcela do preço do produto), de emissão de partículas e de ruídos.

Leia a matéria completa no informativo Fatos&Asfaltos nº13

Contribuição:
Eng. Agnaldo Agostinho – Gerente Técnico-Comercial da GRECA/SP
Eng. Msc. Armando Morilha Jr. – Consultor Técnico da GRECA.
Mariana Rigotto – Analista de Marketing da GRECA.

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