Tratamento Superficial (2a PARTE)

Dando continuidade aos estudos sobre Tratamentos Superficiais – TS, apresentados na edição anterior do Fatos & Asfaltos, seguem as etapas para a realização do serviço, atendendo ä s taxas indicadas em projeto:
• Realizar uma varredura na superfície onde será aplicado o TSD (Tratamento Superficial Duplo) para eliminação de todas as partículas de pó;
• Aplicar a primeira pintura, considerada a pintura de ligação à base (figura 1);
• Aplicar a primeira camada de brita com distribuidor autopropelido ou rebocável (figura 2);


• Vassourar a primeira camada de brita, eliminando-se os seus eventuais excessos ou completando as suas falhas. Recomenda-se sempre soltar os agregados um pouco inferior às taxas indicadas para que, após o vassouramento, possamos identificar as falhas, ficando fácil a sua reposição em relação ao contrário (figura 3);


• Rolagem da primeira camada de brita. Pode ser realizada com rolos pneumáticos, como mostra a figura 4, ou com rolos tipo tandem de menor porte ou ainda rolos conjugados, dependendo das condições do substrato e dos agregados utilizados.


• Aplicação da segunda pintura (figura 5)
• Aplicação da segunda camada de brita (figura 6), com posterior vassouramento e rolagem e aplicação do fog selante (figura 7).


Recomendações para a aplicação:
– Temperatura ambiente acima dos 15ºC;
– Utilizar um fog selante de emulsão RR-2C ou RR-2C-EP diluída com água no mínimo seguindo a proporção de 60% de emulsão e 40% de água, podendo ser até mais emulsão, dependendo do caso.
Possíveis causas de problemas no serviço de tratamentos superficiais – TS:
• Taxas inadequadas de agregado e/ou emulsão asfáltica;
• Excesso de pó nas faces do agregado: É um problema comum em serviços de TS. A emulsão rompe nas partículas finas de que envolvem a face do agregado (brita ¾ ou pedrisco), provocando o aumento da superfície específica a ser colada pelo ligante, fazendo com que o mesmo fique sem o contato com a emulsão;
• Agregados muito úmidos: A presença de pó é controlada lavando os agregados com antecedência à aplicação do TS, mas se houver água em demasia, a aderência entre o asfalto residual da emulsão e agregado é prejudicada;
• Substrato (pavimento) onde o TS será aplicado com umidade excessiva: Trechos de encosta e sombra são pontos em que se deve tomar extremo cuidado quando se executa um serviço asfáltico a frio, seja ele de tratamento superficial, lama asfáltica, PMF ou Microrrevestimento Asfáltico a Frio, principalmente
em temperaturas inferiores a 20ºC e/ou no inverno. A água do substrato atrapalha a evaporação da água presente nas emulsões, dificultando sua ruptura e cura, ocasionando assim problemas de aderência entre agregado e asfalto residual;
As Figuras 8 e 9 mostram um típico aspecto de rodovia pavimentada com TS com fog selante. Comparando com o trecho executado (figuras 10 e 11) é possível detectar a falta do fog selante, recurso este importante para o sucesso de um serviço de TS.
• Situações climáticas desfavoráveis: Outro item muito importante a ser observado antes da aplicação de tratamentos superficiais é a situação climática. Não basta apenas o dia estar ensolarado, é preciso de calor. Vale lembrar que a emulsão asfáltica RR-2C ou RR-2C-EP é composta por aproximadamente 33,0% de água, que precisa evaporar na sua totalidade, antes da liberação do tráfego. Sabe-se que num dia frio com temperaturas inferiores à 15ºC no início do dia, a aplicação de tratamentos superficiais deve ser evitada. As concessionárias de rodovias em sua totalidade e muitos aplicadores e empreiteiros no Sul do país evitam a execução de tratamentos superficiais, sejam eles simples, duplos ou triplos, nos meses mais frios do ano, prática esta comum em diversos lugares no mundo como EUA, México, África do Sul, Austrália e Europa.


• Liberação precoce ao tráfego: Em determinadas situações, por exemplo, num TS sem fog selante, em situação de umidade e frio, a liberação do pavimento executado ao tráfego não deve ser realizada em tempo mínimo que 5 horas, dependendo da situação não pode ser liberado nem no mesmo dia e sim somente após a análise de profissional experiente e da certeza de que não haverá problemas de desprendimento excessivo. Uma equipe de profissionais deve estar de prontidão no trecho para avaliar a gravidade do desprendimento após a liberação do tráfego, a fim de intervir e providenciar o
fechamento do trecho ou liberação com tráfego controlado.

Elaborado por:
Eng. José Carlos M. Massaranduba – Diretor Técnico GRECA
Eng. José Antonio Antosczezem Junior – Engenheiro Químico – GRECA Asfaltos

Leia a matéria completa no informativo Fatos&Asfaltos nº24

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